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João José Le Cocq (1798-1879)

João José Le Cocq, notável cidadão francês, filho de João José Le Cocq e de Maria Vitória do Carmo, nasceu, viveu e morreu em Portugal e manteve, sempre, a cidadania francesa.

Em 1813, aos 16 anos de idade, entrou na Congregação do Oratório, onde acompanhado e estimulado pelo seu tio Frei Joaquim do Santíssimo Sacramento, se revelou estudante aplicado e ansioso de saber, de adquirir novos conhecimentos científicos.

Em 1822, aos 24 anos de idade, foi publicada uma portaria incumbindo-o de «ir a Paris aprender a prática do ensino mútuo, para vir instalar e dirigir no Reino uma escola normal». Durante os dez meses que lá permaneceu, e sempre movido pelo desejo de saber, estudou mecânica e filosofia com os melhores mestres da época, Lussac, Pouillet, Ampére e outros, a quem muito agradou pelas qualidades evidenciadas.

No regresso, propôs ao Governo que lhe entregasse a imprensa das obras públicas, para com ela dar início no País à indústria da litografia.

A escola normal do ensino mútuo foi instalada, a título provisório, na Casa Pia, e Le Cocq, desde logo, nomeado seu director.

A seguir, preparou um plano para o estabelecimento duma oficina régia litográfica, logo aprovada pelo governo, que ordenou a sua instalação e o nomeou para a dirigir.

Constando-lhe que se pretendia fazer um estabelecimento para construção de máquinas de Física, Matemática e Marinha, aplicadas à indústria, requereu a sua nomeação para o dirigir, obrigando-se a ensinar a teoria da mecânica aos alunos.

Como funcionário técnico do Estado, foi chamado a dar pareceres sobre serviços e aquisições de máquinas. Como actividades particulares, ensinou filosofia racional e moral, direito público português, economia política, estatística, comércio, etc, numa inequívoca demonstração das suas capacidades de professor enciclopédico, a que não faltou ministrar um curso de física experimental, com uso de máquinas, e de química, «curso este mais puxado no preço, que atinge a cifra mensal de 3 200 réis por aluno».

Em 1827, o governo da regência da Infanta D. Isabel Maria agraciou-o com o grau de Cavaleiro da Conceição, como reconhecimento pelos muitos úteis serviços prestados ao País.

Filho e neto de franceses, e vivendo no tempo em que as «ideias francesas» vogavam por toda a Europa, não deu as suas simpatias à causa do absolutismo, foi sempre fiel à Rainha e à Carta Constitucional.

Porém, manteve sempre excelentes relações com os governos posteriores ao triunfo do Liberalismo, como já tinha acontecido com os ministros da feição liberal do tempo de D.João VI, nomeadamente o Marquês de Palmela, com quem tratou de diversos serviços públicos, quando ele foi ministro e secretário dos negócios estrangeiros.

Em 1833, foi nomeado para fazer parte da Comissão que devia compor as Tábuas para o ensino da gramática portuguesa e, em 1835, ascendeu ao cargo de Secretário da Sociedade de Instrução Primária.

João José Le Cocq, lavrador inovador e notável no Alentejo Norte

Desligado da direcção da escola normal do ensino mútuo e da régia litografia, que fora incorporada na Academia das Belas Artes, a vida e actividade de João José Le Cocq mudam por completo e de forma inesperada. No período de 15 anos, que se seguiu à sua ida para Paris, a fim de aprender a prática do ensino mútuo, não é mencionado qualquer interesse seu pela agricultura ou por conhecimentos do foro agronómico.

Julga-se que «aí por começos de 1837 já as suas vistas de alcance devem ter poisado sobre as terras da então extinta Casa do Infantado, e mais especialmente nas do rico Vale do Prado, em Castelo de Vide».

Então, vende as propriedades que possuía em Sintra e Colares e adquire as terras do Prado, por 5.137$560 réis, assim como a Coutada do Alcogulo, por 3.497$600 réis e a Coutada de Niza, por 3.120$200 réis.

A sua ideia era prepará-las para as negociar, ganhando com os melhoramentos introduzidos. Para cativar eventuais compradores, esforçou-se por divulgar as ideias que tinha para o melhor aproveitamento daquelas terras, nomeadamente a captação de água para a rega de novas culturas a instalar. Os compradores não apareceram e, em Castelo de Vide, alguns já o criticavam pelas ideias expostas, o que o desgostou e o influenciou a tomar a decisão de ser ele próprio a concretizar o plano de explorações que tinha anunciado para aquelas terras. Aceitou o desafio e, assim, se deu luz ao nascimento da que, poucos anos passados de intensos trabalhos, havia de ser conhecida por Quinta ou Granja do Prado, modelo e famosa.

E, com o apoio dos trabalhadores rurais, a quem garantiu salários e prometeu parcelas para cultivarem, imediatamente, começaram nas terras do Prado os trabalhos de arroteio, de pesquisa de águas, de plantações e de construções agrícolas e da sua própria habitação, tudo dirigido pelo sapiente e inovador proprietário que, dedicando 30 anos de árduos e persistentes esforços à concretização das suas ideias, viria a ser um dos mais notáveis Lavradores de sempre no Alentejo Norte, então com o «capital agrícola» em Castelo de Vide.

João José le Cocq casou com Maria Leonor le Cocq de quem houve oito filhos: Luiz Victor le Cocq (n. 21/03/1828 em Lisboa) Augusto le Cocq (n. 1830, falecido em criança) Eduardo Augusto le Cocq (n. 1831 em Lisboa), Augusto César le Cocq (falecido a 10/07/1901) Leonor le Cocq (21/05/1834 – 23/01/1846) Augusto César le Cocq (n.17/08/1838) Alfredo Carlos le Cocq (n. 5/031849) e Maria Luiza le Cocq (n. 24/09/1851) casada com José Augusto Camarate.

Faleceu o fundador da Quinta do Prado com 81 anos de idade, sendo sepultado em Castelo de Vide em jazigo de família.

Diogo Salema Cordeiro

 

(baseado no texto de Manuel Ferreira Prates Canelas, "João José Le Cocq, a Quinta do Prado e Castelo de Vide" disponível em Textos e Artigos).

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Bibliografia :
- GORDO, João António - Os Le Cocq em Portugal. Castelo de Vide : separata de O Castelovidense, 1942.


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