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Francisco Mimoso Flores (1905-1988)

Em Lisboa, na freguesia de Santa Maria de Belém, nasce em 5 de Outubro de 1905 Francisco Mimoso Flores, filho do Prof. Dr. António José Pereira Flores, de Lisboa, e de Cecília Baptista Mimoso Flores, de Castelo de Vide.

Fez os seus estudos em Lisboa, onde residiam seus pais, mas tal como eles, mantinha estreita ligação a Castelo de Vide, onde seu pai se unira pelo casamento a sua mãe, e  onde possuíam a esplêndida casa da Quinta da Senhora da Luz, casa onde viveram alguns antepassados seus, por parte de sua mãe.

Obteve a sua formatura em Silvicultura, no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Mas antes de concluir o seu relatório de fim de curso, e para estudos preparatórios do mesmo, estudou em França, Alemanha, Inglaterra e América, com quatro anos de trabalhos de campo em Ecologia.

Entrado na vida activa, foi encarregado dos primeiros estudos para a execução do Plano de Povoamento Florestal nas Províncias do Minho e Trás-os-Montes, de que existem relatórios ciclostilados na Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, e, para a elaboração de um plano de arborização de todas as ilhas dos Açores, foi incumbido do respectivo estudo, de que deixou relatórios e álbuns de fotografias arquivados na Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas. Por três vezes, em missões oficiais, esteve em Inglaterra, trabalhando em Botânica nos Royal Gardens de Kew. Igualmente em missão oficial, trabalhou com a Florestry Comission Inglesa e Escocesa. Esteve em Missões de Estudo em Beltsville (Maryland) Researech Experimental Station. Também em missão de estudo percorreu os Estados da Nova Inglaterra, obtendo elementos relacionados com técnicas usadas em Silvicultura nas Universidades de Harvard, Syracuse, Michigan, Indiana, Virgínia, West Virgínia, Ann Harbour e Baton Rouge. Em colaboração com o Prof. William S. Cooper, fez um estudo fitogeográfico e ecológico das dunas portuguesas desde Caminha a Vila Real de Santo António, para comparação com as dunas dos Estados Unidos da Costa do Pacífico de Oregon a Washington. Foi bolseiro do Instituto para a Alta Cultura nos Estados Unidos, onde trabalhou em Ecologia nas Universidades de Columbia (Estado de New York), Minneapolis, (Minnesota) e Berkeley (Califórnia). Dedicou-se ainda a estudos ecológicos e de combate a incêndios nas Florestas de South Dakota.

O Eng.º Francisco Flores foi certamente a primeira pessoa que em Portugal se preocupou e defendeu a ideia da protecção da Natureza, publicando em 1939 o notável trabalho intitulado "A Protecção da Natureza, Directrizes Actuais", Lisboa, Lucas&Cia.

Em 1970, celebrou-se "O Ano Europeu da Conservação da Natureza", com reuniões por toda a Europa e também em Portugal. A Fundação Calouste Gulbenkian associou-se a esta iniciativa e, entre outros actos, promoveu uma sessão solene em que foi proferida uma conferência pelo Prof. Eng.º Carlos Manuel Baeta Neves. No programa desta sessão, homenageando o Eng.º Francisco Flores, é incluída uma passagem daquele seu trabalho, que contava já 31 anos de publicação: "As ligações do homem com a Natureza são tão profundas que quaisquer tendências ou ideologias, sejam quais forem, que o queiram simplesmente afastar do contacto com ela, acarretam consigo catástrofes morais e físicas que o levam ao próprio aniquilamento mais ou menos rápido."

Nomeado para o Centro de Estudos do Castanheiro, foi Director Regional durante vários anos, mantendo, também por esta circunstância, o seu interesse e a sua atenção aos assuntos relacionados com a Serra de São Mamede.

Durante cerca de 10 anos foi ainda delegado regional da Ordem dos Engenheiros, tendo no ano de 1967, como Delegado Substituto o Eng.º Claudino António da Costa Malheiro Martins Vicente, que durante alguns anos viveu em Castelo de Vide, como engenheiro da Junta de Energia Nuclear. 

Constam da sua bibliografia "A Protecção da Natureza" - Lisboa 1939; "Contribuição para os Estudos dos Carrascais da Região do Centro Litoral" (Análise Fitogeográfica) 1942; "A Protecção da Natureza", Base Científica da Silvicultura, Ciclostilados, DGSF - 1943; "Estudo Fitogeográfico da Zona mais Ocidental da Península de Lisboa", Ciclostilado, DGSF - 1943.

De elevado nível intelectual e de uma invulgar cultura, Francisco Flores era principalmente um homem de pensamento e de estudo. Pessoa de grande lhaneza de trato, era um excelente conversador, proporcionando bem agradáveis momentos a quantos tiveram a dita de participar do seu convívio.

Casou em 19 de Setembro de 1947, no Condado de Dallas, Estado do Texas, com Virgínia Lee Malone (sg), filha de Vernon Malone e de Florence Green Malone.

Passou a última fase da vida na sua Quinta da Senhora da Luz, sempre atento ao que ia pelo mundo, prosseguindo os estudos, e cumprindo com visível satisfação as tradições familiares e locais, tais como as respeitantes à Festa de Nossa Senhora da Luz, orago da bonita capela seiscentista que fica de fronte da sua Quinta.

Faleceu a 7 de Julho de 1988 no Hospital Distrital de Portalegre, com 82 anos, sendo sepultado em jazigo de família em Castelo de Vide.

Virgínia Lee Malone Flores, sua mulher, faleceu em Lisboa em 29 de Maio de 2011 com a idade de 89 anos. O funeral realizou-se no dia seguinte, ficando sepultada em jazigo de família, em Castelo de Vide..

Virgínia Lee Malone Flores adquirira a nacionalidade portuguesa em 3 de Abril de 1989 (artigo 18º nº6 do código civil de 1867). E por disposição testamentária, constituiu seu herdeiro universal D. Duarte Pio, Duque de Bragança, morador na Rua do Campo nº 4, Sintra. O respectivo testamento, de 30 de Julho de 2010, foi outorgado na Rua 1º de Maio, 24 2º, Lisboa, também residência da testadora. A histórica casa e quinta da Senhora da Luz, em Castelo de Vide, tradicionalmente das famílias Mimoso e Flores, conheceu então novo possuidor

Diogo Salema Cordeiro

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