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Tude Martins de Sousa (1874-1950)

Foi no âmbito da agricultura, das florestas e dos sistemas prisionais, que a actividade profissional de Tude Martins de Sousa se exerceu, escrevendo e publicando também estudos e trabalhos sobre história e etnografia. Nasceu em 27 de Janeiro de 1874, filho de Luís Martins, jornaleiro, e de Maria da Conceição, naturais, ele da freguesia de São Tiago Maior da vila de Amieira, e ela da freguesia de São Matias, concelho de Nisa. Era neto paterno de José Martins e de Maria Barata, e materno de Florindo de Sousa e de Ana Rosa. Foi padrinho José Ayres Correia de Lemos, e madrinha Maria de Matos Gonçalves.

Nasceu na bonita vila de Amieira, freguesia do concelho de Nisa, junto ao Tejo e na falda da Serra da Caraminheira, onde seus pais trabalhavam. Sendo de família pobre, mas dando-se a feliz circunstância de sua mãe trabalhar em casa de D. Maria Amália da Silveira Maggessi, foi esta senhora que o protegeu e o mandou estudar para Castelo de Vide.

Maria Amália da Silveira Maggessi era filha de Francisco Maria Carrilho Saraiva do Amaral, natural de Amieira, e de Ana José Tavares Afonso Videira Maggessi, de Castelo de Vide, e viveu os últimos tempos da sua vida nesta vila, onde faleceu a 13 de Março de 1895, na sua casa da Rua de Santa Maria de Baixo.

O pequeno Tude, depois do exame da instrução primária, foi matriculado no Seminário de Portalegre, em 1884, que frequentou durante cerca de cinco anos. Entrou então, em 1889, na Escola Agrícola de Coimbra, mercê do interesse do Dr. José Frederico Laranjo que, como aconteceu com outros estudantes, se interessou por ele. E em 1893 terminou, com alta classificação, o curso de Regente Agrícola.

Regressando a Castelo de Vide, e enquanto aguardava um emprego, não ficou inactivo. Espírito vivo, com grande talento para escrever e estudar, colaborou em alguns jornais de Portalegre.

Era então Governador Civil de Portalegre o Conselheiro António Xavier Perestrelo Corte Real, e graças a ele e a João Pedro da Silveira Maggessi, irmão de Maria Amália Maggessi, é colocado em 1895, como ecónomo, na Colónia Agrícola Correccional de Vila Fernando, que iria começar a funcionar, onde se manteve até 1904, assumindo então, por nomeação, e por cerca de 11 anos, o cargo de Regente Florestal dos Serviços de Arborização da Serra do Gerez. Para esta nomeação contribuiu outro castelovidense, Alfredo Carlos Le Cocq, então Director Geral da Agricultura, que certamente reconheceu o valor de Tude de Sousa.

Em 1915 é nomeado director da Colónia Penal Agrícola António Macieira, e em 1919 dirige os Serviços Agrícolas da Administração e Inspecção-geral das Prisões, ficando-se-lhe devendo a remodelação da Escola Agrícola da Paiã, em 1929.

Foram muitas as publicações em que colaborou, como Portugália, Arqueologia e História, Terra Portuguesa, Ilustração Portuguesa, Portucale, Gazeta das Aldeias, O Lavrador, A Voz do Lavrador, Boletim Oficial do Ministério da Instrução Pública, “Buletin Internacional de la Protection de l'Enfance”, Brados do Alentejo, Estremadura, Arquivo Histórico de Portugal, Boletim do Instituto de Criminologia, etc.

Foi no jornal Brados do Alentejo, editado em Estremoz, que Tude de Sousa publicou "Os Maggessi de Portugal", de que se fez uma separata, obra que para Castelo de Vide tem particular interesse, visto tratar-se de uma família que aqui criou raízes e onde muitos dos seus membros nasceram ou viveram, família que para o autor era de especial afeição. 

Da vasta série de obras publicadas, salientamos:

A Tradição, o Valor e o Culto da Árvore, (palestra);
A Serra, as Pastagens e os Gados (palestra);
A Árvore na Escola Primária (conferência pedagógica);
Árvores Florestais, sua cultura, exploração e aplicações; Os Pinhais Como se conservam. - Como se aumenta. Vol.XXXVIII da livraria do lavrador, publicação do jornal “ O comércio do Porto”, 1941, 2ª edição;
Colónia Penal agrícola de Sintra. Relatório da instalação da Colónia e seu funcionamento até 31 de Dezembro de 1917, Publicação oficial, 1920;
Colónia Penal Agrícola de Sintra. Relatório dos diversos serviços desde 1 de Janeiro de 1918 até 31 de Dezembro de 1920, publicação oficial, 1922;
O trabalho dos presos na agricultura, separata do volume V, série II do Boletim do Instituto de Criminologia, Lisboa, 1925;
Mata do Gerês - Subsídios para uma monografia florestal, separata de “A Voz do Lavrador”, boletim da Associação dos Regentes Agrícolas, 1926, tiragem adquirida pela Direcção-Geral dos Serviços Florestais;
Gerês -Notas etnográficas, arqueológicas e históricas, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1927;
Colónia Agrícola de Sintra -Relatório dos diversos serviços desde 1 de Janeiro de 1921 até 30 de Junho de 1926, publicação oficial, 1927;
Tatuagens, separata do Boletim do Instituto de Criminologia, Vol.VIII e IX, 1927-1928;
Colónias Penais Agrícolas, separata do Vol.X do Boletim do Instituo de Criminologia. Conferência lida na sala da Sociedade de Propaganda de Portugal, por convite da Universidade Popular Portuguesa no dia 4 de Julho de 1929;
Algumas vilas, igrejas e castelos do antigo priorado do Crato (Crato – Flor da Rosa – Amieira), separata de Arqueologia e História, da Associação dos arqueólogos Portugueses, vol.VIII, 1930;
Até que idade deve estender-se a competência dos tribunais de menores? Tese apresentada à 16ª reunião da Associação Internacional para Protecção à Infância, realizada em Lisboa de 25 a 29 de Outubro de 1931. Em Bulletin Internacional de la Protection de l´Enface, nº 110, Bruxelles, 1931. Publicado também em francês no Boletim do Instituto de Criminologia, Vol.XV, série VIII, Lisboa, 1932;
Colónia Penal Agrícola de Sintra.-Relatório dos diversos serviços desde 1 de Julho de 1926 até 30 de Junho de 1929, publicação oficial, 1932; A Misericórdia da Amieira (do antigo priorado do Crato). Separata do vol.X de Arqueologia e História, da Associação dos Arqueólogos portugueses, Lisboa, 1932;
Diogo Marchão Temudo, separata de Brados do Alentejo, de Estremoz, nºs 267 a 271, 1936;
Amieira (Do antigo priorado do Crato), Figueira da Foz, Tip.Popular, 1936, (de colaboração com Francisco Vieira Rasquilho);
Colónia Penal Agrícola de Sintra Notas par um Estudo, separata do Boletim dos Institutos de Criminologia, nº 1, Lisboa, 1937;
Os Maggessi de Portugal, separata de Brados do Alentejo, de Estremoz, nºs 306 a 371, 1938;
Tomaz Cacheiro – criado do Prior do Crato, comunicação apresentada à Assembleia-geral da Associação dos Arqueólogos Portugueses, em 23 de Dezembro de 1937, separata do vol. III dos trabalhos da Associação dos Arqueólogos Portugueses, Lisboa, 1938;
Colónia Penal Agrícola de Sintra Notas relativas à sua criação, abertura e funcionamento, separata do nº111 do Boletim dos Institutos de Criminologia, 1938.
S. Tude no Agiológio, na conquista de Lisboa e na restauração de Portugal, Porto, Livraria Civilização, 1940;
Comendadeiras de Santiago, separata do Arquivo Histórico de Portugal, Vol. IV, 1940;
Pastoreio e arte pastoril, em Vida e Arte do Povo Português, edição do Secretariado da Propaganda Nacional, 1941, publicação dos centenários;
Cadeia de Belém – Notas de investigação prisional, separata do Boletim dos Institutos de Criminologia, Lisboa, 1941;
Memória Histórico-Topográfica das Caldas do Gerês, por José dos Santos Dias. Introdução e notas de Tude M. de Sousa, separata do Arquivo Histórico de Portugal, Vol. IV, 1941;
A electricidade nos campos, comunicação apresentada ao I Congresso de Ciências Agrárias. Separata de A Granja, Boletim do Sindicato Nacional dos Regentes Agrícolas, nº 8, Maio de 1944;
Águas do Gerês e outras, introdução e notas de Tude M. de Sousa. Separata do Arquivo Histórico de Portugal, Vol. V, 1945;
O Mosteiro e Quinta de Penha Longa na Serra de Sintra, Sintra, 1947;
Mosteiro, Palácio e Parque da Pena na Serra de Sintra, Sintra, 1950

Com 76 anos de idade, e depois de uma vida de intenso labor, Tude Martins de Sousa faleceu na Amadora, onde residia, em 16 de Julho de 1950.

Diogo Salema Cordeiro

Fontes consultadas:

Arquivo Distrital de Portalegre
Jornal “O Castelovidense”
O meu Tio Tude, in "Maria do Carmo Amor de Sousa Torres R."


Bibliografia :
- CORDEIRO, Diogo Salema - Efemérides de Castelo de Vide. Castelo de Vide : Grupo de Amigos de Castelo de Vide, 2010.

- SOUSA, Tude Martins de - Os Maggesi de Portugal. Sintra : separata de Brados do Alentejo n.º 306, de 29 de Novembro de 1936, a n.º 375, de 27 de Março de 1938, Junho de 1936.

- SOUSA, Tude Martins de - A Árvore - Leituras florestais para crianças - notas para criar, desenvolver e fomentar o amor pelas árvores e pela montanha. Porto : Livraria Chardron, 1912.

- SOUSA, Tude Martins de; RASQUILHO, Francisco Vieira - Amieira do antigo Priorado do Crato. 2ª ed.,Lisboa : Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1982.

- SOUSA, Tude Martins de; VENTURA, António, recolha e introdução - Estudos Dispersos. Nisa : Câmara Municipal de Nisa, 1992.


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