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António José Pereira Flores (1883-1957)

O Prof. Dr. António José Pereira Flores nasceu na cidade de Lisboa em 3 de Janeiro de 1883. Filho de António Pé de Flores e de Guilhermina Júlia Pereira.

Em Lisboa, a 2 de Janeiro de 1905, na Igreja da Sé, casou com Cecília Baptista Mimoso, filha de Francisco António Mimoso e de Maria Emília Baptista Mimoso, todos de Castelo de Vide.

Ligado assim a esta vila pelo seu casamento, vinha a Castelo de Vide, quando a sua vida profissional e académica o permitia, principalmente nas férias, ficando na sua quinta da Senhora da Luz ou na da Atalaia, também da família, onde muito apreciava o ambiente da região, o relacionamento com a gente da vila e onde achava o descanso da sua intensa actividade.

Mantinha e revivia as tradições da família e de Castelo de Vide, como  sucedia com a sua participação numa das tradicionais festas locais.  Por ocasião da Páscoa, na segunda-feira de pascoela, feriado municipal e dia da Senhora da Luz em Castelo de Vide, tradicional e concorrida festividade, celebrada na seiscentista capela daquele orago, abria ao público a casa e a Quinta, fronteiros ao histórico templo, capela e cruzeiro que aliás sempre mereceu à família devotados cuidados de conservação e restauro. Na tarde desse animado dia de primavera, recebia com sua mulher e família amigos e famílias da região, associando-se ao popular acontecimento desse dia.

Em Lisboa, a casa da Rua 1º de Maio, residência da família, era pronto e generoso o valimento para quem, por motivos de doença procuravam os hospitais de Lisboa, naturalmente precisados de orientação e conselho. 

O Professor Flores formou-se em Medicina na Escola Médica de Lisboa em Julho de 1906 com 16 valores. Entre 1906 e 1911 especializou-se no campo da psiquiatria em Paris e Berlim.

Em Julho de 1911 é Professor Auxiliar de Neurologia (1º Assistente), tendo recusado o convite para Director do Hospital de Rilhafoles, feito em 1910. Além disso, foi Membro da Sociedade das Ciências Médicas em 1911; Secretário da Associação dos Médicos Portugueses em 1912; Neurologista do Corpo Expedicionário Português em França na 1ª Grande Guerra, obtendo a medalha de Bons Serviços em Campanha entre 1914 e 1918; e Capitão miliciano de neurologia ao serviço do CEP entre 1917 e 1918.

Entre outros cargos foi, entre 1922 e 1936, Adjunto do Director do Hospital de Santa Marta, e em Abril de 1933 integrou a Comissão de Obras do Hospital Júlio de Matos, de que viria a ser director em 1945.

Em Agosto de 1933 faz uma viagem de estudo aos hospitais de doentes mentais em França, Alemanha, Bélgica e Holanda.

Desde 1940 a 1943 (dois biénios) foi bastonário da Ordem dos Médicos, em cuja qualidade integrou a Câmara Corporativa. 

Foi Presidente da Comissão Instaladora e administrativa do Hospital Júlio de Matos, em 1941, cargo que exerceu até 1945; em 1941 tornou-se Professor extraordinário de Neurologia, sendo ainda neste período Director do Manicómio Miguel Bombarda; de 1942 a 1945 é Professor Catedrático de Psiquiatria e em Fevereiro de 1945 Professor Catedrático de Neurologia; membro do Senado Universitário e Director da Faculdade de Medicina, em Maio de 1945 passa a 1º Director do Hospital Júlio de Matos, vindo a ser homenageado, atribuindo-se o seu nome ao Centro de Alcoologia.

Em Dezembro de 1947 é Sócio Correspondente da Academia das Ciências; 1º Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria em Janeiro de 1950, foi em Setembro desse ano Presidente da delegação portuguesa ao Iº Congresso Mundial de Psiquiatria.

Em Setembro de 1953 preside ao V Congresso Internacional de Neurologia de Lisboa; foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia. Jubilou-se em 1953, continuando a sua actividade científica; em Dezembro de 1956 ocupa o lugar de Sócio Efectivo número 16 da Academia das Ciências de Lisboa; é Presidente da Direcção do Centro de Estudos Egas Moniz em Janeiro de 1957.

Faleceu no Instituto Português de Oncologia, a 13 de Dezembro de 1957.

Deixou dois filhos: o Eng.º Francisco Mimoso Flores, que foi casado com Virgínia Lee Malone Mimoso Flores (sg), e Guilhermina Mimoso Flores Bugalho, que casou com o poeta Francisco José Lahamaier Bugalho, de quem houve três netos: Francisco António Flores Bugalho, Maria Cecília Flores Bugalho e João Filipe Flores Bugalho.

Agremiações científicas a que pertenceu:
- Sociedade das Ciências Médicas, desde 1911,
- Société Neurologique de Paris, desde 1923,
- Academia das Ciências de Lisboa, sócio correspondente desde 1947,
- Sociedade Portuguesa de Otoneurooftalmologia, desde 1948,
- Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria, desde 1950,
- Deutsche Gesellshaft fur Neurologie, desde 1952,
- Academia das Ciências de Lisboa, sócio efectivo número 16, desde 1956,
- Presidente da Sociedade de Reumatologia.

Possuia as seguintes condecorações:
- Medalha da participação na Grande Guerra 1914-1918
- Medalha da Vitória
- Medalha de Bons Serviços em Campanha
- Grande-Oficial da Instrução Pública – Por ocasião da aposentação
- Colar da Academia das Ciências

Homenagens:
O povo de Castelo de Vide promoveu em 17 de Maio de 1953, uma homenagem ao Professor António Flores, de iniciativa e organização de um grupo de jovens cidadãos. Entidades e grande número de pessoas dirigiram-se à Fonte Nova, onde se previra a concentração, e onde se formou um cortejo. Integravam o mesmo: Corporação dos Bombeiros Voluntários, com o seu estandarte, o Presidente da Câmara, o Vigário da Vara de Castelo de Vide, presidentes e regedores das freguesias, os comandantes dos postos da GNR e GF, e do núcleo local da L.P., os médicos do concelho, a Casa do Povo, com seu estandarte, a Banda União Artística (encontrava-se ausente de Castelo de Vide a banda Dr. Frederico Laranjo), as sociedades recreativas, com seus estandartes, as artes e ofícios, com os seus estandartes: alvaneus, ferreiros, carpinteiros, alfaiates, padeiros e barbeiros, representação das senhoras de Castelo de Vide, a Misericórdia de Castelo de Vide, o Asilo de N. S. da Esperança e o Asilo Almeida Sarzedas. Chegado ao largo da Senhora da Luz e frente à casa e quinta do Professor Flores, uma representação subiu ao salão do distinto médico, que ali aguardava com a família. Em nome de todos falou o Presidente da Câmara, que em seguida leu a mensagem em pergaminho, encerrada numa pasta de couro, em cuja capa se lia a letras de ouro: “Homenagem do Povo de Castelo de Vide, Homenagem dos Castelovidenses agradecidos ao Excelentíssimo Senhor Professor Doutor António José Pereira Flores”. A mensagem era do teor seguinte: “No ano de 1953 em que os homens de ciência, a Faculdade de Medicina e o Governo da Nação, consagraram as altas qualidades de cientista e de Professor do Excelentíssimo Senhor Doutor António José Pereira Flores, julgam os homens humildes de Castelo de Vide, não descabida neste momento, a sua modestíssima mas sincera homenagem. Não tem o professor Doutor António José Pereira Flores senão que perdoar a modestíssima maneira como aqui lhe estamos expressando sinceramente e em palavras vulgares, que outras não sabemos dizer, a gratidão, agradecimento e reconhecimento, por tanta protecção e carinho com que Sua Excelência acolhe os nossos doentes em Lisboa, suavizando-lhes o mal e amparando-lhes a família. Porque os beneficiados são muitos e a voz que trouxesse até junto de Vossa Excelência o seu sentir, teria que ser só uma, rogámos ao Presidente da Câmara Municipal, como o homem mais qualificado dos Castelovidenses, para ser ele o intérprete dos nossos votos pela saúde de Vossa Excelentíssima família e das nossas preces a Deus para que lhe seja em bens, aquilo que por todos nós tem feito”. Então a Banda tocou o hino do Município e o Presidente da Câmara, a pedido da comissão, entregou ao Professor António Flores a mensagem e um artístico tinteiro de mármore e bronze, onde figura um leão, simbolizando a força que unira o povo no mesmo sentimento de gratidão e simpatia. O homenageado, comovido, agradeceu com as seguintes palavras: 

“Senhor Presidente, Minhas Senhoras e meus Senhores:
Quando no princípio do ano soou a hora da minha aposentação oficial, os amigos, felizmente numerosos que adquiri nos quarenta anos de serviço hospitalar e docente a que dediquei a minha actividade, houveram por bem mimosear-me com uma despedida que foi além de simplesmente afectuosa, para ser solene. Foram dias em que a minha sensibilidade foi posta á prova e me deixaram recordações tão gratas que nem o tempo poderá apagar. Considerei então que esse ciclo de fundas emoções se encerrara. Foi pois para mim a mais tocante das surpresas o saber que também os bons habitantes de Castelo de Vide queriam honrar-me com uma demonstração de estima, cuja forma e importância excedia quanto a minha imaginação pudesse ter sonhado. A presença do Senhor Presidente da Câmara Municipal dignifica a solenidade com carácter oficial, a companhia do Senhor Vigário, e dos Representantes das tradicionais Corporações das Artes e Ofícios, das Casas de Assistência, das Sociedades Recreativas e dos Bombeiros Voluntários empresta-lhe vincado relevo e a afluência de tantas pessoas de todas as classes põe-lhe, ao mesmo tempo que um significado de generalidade, uma nota pessoal, que profundamente me impressiona, me comove e me desperta o mais forte sentimento de gratidão de que é capaz o meu espírito. E como não posso descobrir em mim merecimentos que justifiquem acto de tamanha generosidade, tenho de o interpretar como manifestação de amizade, reflexo por simpatia da verdadeira afeição que voto a esta linda terra de Castelo de Vide. Todas as coisas têm a sua história e por ela os factos se explicam. Assim, e poucos dos meus amigos presentes o saberão, tinha sete anos apenas, há precisamente 63 anos, quando visitei pela primeira vez esta vila em companhia de meu pai, grande amigo do Senhor Francisco Mimoso que nos acolheu com a sua proverbial bondade. Depois, uma e outra vez voltei, até que por fim uni os meus destinos aos dessa família. Os encantos naturais da terra, a delicadeza e as hospitalidade dos seus habitantes cativaram-me e, com o tempo, aprofundaram a minha afeição por ela até ao ponto de me considerar seu filho. Com tanto entusiasmo passei a cantar-lhe os louvores que a maior parte dos meus colegas, discípulos e pessoas das minhas relações julgam que sou castelovidense. Como se o fosse, eduquei os meus filhos no amor da minha terra adoptiva, trazendo-os propositadamente para aqui todas as férias, para que ás suas belezas criassem apêgo. Nas tardes de verão, ao enlevar-me sozinho na contemplação dos nossos maravilhosos poentes no adro da Senhora da luz, ficava-me a sonhar, acalentando a fantasia de casar meus filhos na capelinha, quando crescessem, e lá batisar os netos, se os viesse a ter. Tive a sorte de ver realizados os meus sonhos e hoje os meus filhos querem a Castelo de Vide talvez mais do que eu próprio, pois aqui fixaram residência, e os netos vão pelo mesmo caminho chegando a lamentar não terem cá nascido. Pendo a acreditar que nestes factos simples de natureza puramente afectiva, esteja a semente original desta comovedora reunião pela qual estou a todos infinitamente grato e que mais ligado me deixa ainda a esta boa terra.
Senhor Presidente, Senhor Vigário, Senhores Representantes das Corporações e Sociedades, Senhores habitantes de Castelo de Vide e Senhores Organizadores desta penhorante festa, meus amigos todos, aceitem os meus mais sinceros e perduráveis agradecimentos.” (“O Castelovidense”, nº 993, de 24 de Maio de 1953, p. 1, 3 e 4; nº 992, de 17 de Maio de 1953, p. 1 e 2.)

O semanário “Terra Alta”, editado em Castelo de Vide, organizou nas suas páginas no seu número 60, de 13 de Abril de 1958, uma expressiva homenagem ao Professor António Flores comparticipada pelos Dr. P. M. Laranjo Coelho, Professores Almeida Lima, Barahona Fernandes, João Pedro Miller Guerra; Drs. João da Fonseca Júnior e Adolfo Bugalho; Arquitecto, Mestre Carlos Ramos e Engenheiro Agrónomo Luís Le-Cocq de Albuquerque de Azevedo Coutinho, de que se fez uma separata, onde se insere uma fotografia do homenageado. - composição e impressão de RAMOS, AFONSO & MOITA LDA., Rua de “A Voz do Operário”, 8 a 16, S. Vicente de Fora, em Lisboa, Abril de 1958.

Principais trabalhos publicados:
1922 - A Mieloarquitectura e a Mielogenia do Córtex Cerebral do Erinaceus Europeus (Ouriço cacheirou Ouriço Terrestre -  Tese de Licenciatura)
1953 - 50 Anos de Neurologia (In a Medicina Contemporânea Vol. LXX)
1953 - Orientação do Hospital Júlio de Matos ( In Jornal do Médico Vol. XXI)

Diogo Salema Cordeiro


Fontes consultadas:
- Página web da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Consultado em Abril de 2011.
- Página web da Ordem dos Médicos Portugueses. Consultado em Abril de 2011.
- Jornal O Castelovidense - nº 992 de 17 de Maio de 1953, p.1 e 2; nº 993 de 24 de Maio de 1953, p.1, 3 e 4.
- Jornal Terra Alta - nº 60 de 13 de Abril de 1958.
- Separata do jornal Terra Alta – Composição e Impressão de RAMOS, AFONSO & MOITA, LDA. Rua de A Voz do Operário, 8 a 16 – S. Vicente de Fora, Lisboa – Abril de 1958.

 

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Bibliografia :
- COELHO, Possidónio Mateus Laranjo; BUGALHO, Adolfo (e outros) - Uma homenagem de Castelo de Vide ao Prof. António Flores. Castelo de Vide : separata do semanário Terra Alta, n.º 60 , 13 de Abril de 1958.


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