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Igreja de São Tiago Maior

Categoria: Arquitectura religiosa
Tipologia: Igreja
Património Integrado: Revestimento cerâmico da Igreja de São Tiago Maior
Localização: Carreira de São Tiago
Freguesia: São Tiago Maior
Protecção Legal: Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)
Nota Histórica: O documento mais antigo que se conhece com referência à Igreja de São Tiago é o "Catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarves, pelos anos de 1320 e 1321..." (ALMEIDA, 1967-1971, p. 140), mas é muito provável que a igreja seja uma construção anterior.

A sua torre surge no desenho de Duarte de Armas, datado de cerca de 1509-1510, embora muito alteada face às dimensões reais que deveria apresentar. Destaca-se do casario que desce a encosta do Castelo juntamente com as torres das restantes igrejas paroquiais de São João e Santa Maria da Devesa.

O templo que hoje observamos resulta de uma campanha de obras do século XVII, valorizada por uma intervenção setecentista que dotou o seu interior dos retábulos e altares que ainda conserva e, em particular, da obra de pedraria que envolve a primeira capela da nave do lado da Epístola.

Não é já possível determinar o que resta da igreja original, embora toda a área da capela baptismal, interiormente com vários desníveis e, no exterior, pouco simétrica em relação à fachada principal, possa indiciar ter sido este o núcleo primitivo. Este pano da frontaria surge mais largo do que se lhe opõe e serve de base à torre sineira. Entre ambos, o alçado termina em empena, sendo aberto pelo portal, de verga recta e moldura de granito, e pelo janelão do coro. Apenas se destaca a cornija que remate o lintel do portal, saliente e com pináculos laterais, e, ao centro, uma vieira de grandes dimensões encimada por cruz de granito. A vieira, que evoca a dedicação da igreja a São Tiago, é o elemento que mais se distingue nesta composição, não devendo, no entanto, ser confundido com o símbolo da Ordem Militar cuja presença é desconhecida nesta região.

Os alçados laterais desenvolvem-se em vários planos que sugerem campanhas de obras, muito difícieis de identificar.

No interior, de nave única com vários altares laterais, e capela-mor profunda, ganha especial interesse o revestimento azulejar de padrão que cobre o espaço, à excepção da abóbada do corpo e da capela baptismal. Trata-se de padrões muito comuns no século XVII, aplicados com um cuidado extremo, pois as cercaduras e frisos envolvem e integram todos os elementos arquitectónicos já existentes na igreja, entre os quais se incluem as vigas do tecto. Esta relação entre a arquitectura e a azulejaria permite, por outro lado, identificar obras posteriores, como os altares colaterais e o imponente arco de cantaria do lado da Epístola, já do século XVIII, pois a sua colocação obrigou à interrupção da sequência azulejar.

De acordo com as Memórias Paroquiais, assinadas pelo Prior Domingos de Figueiredo em 1758, a igreja dispunha de oito altares que hoje ainda se conservam na íntegra ou apenas parcialmente. Assim, do lado do Evangelho, abre-se a capela de Santo António de Lisboa, para a qual se abre, por sua vez, a capela baptismal com a pia em granito. Na parede oposta, observam-se vestígios do antigo altar de São Gregório "onde se não diz missa por ter pouco vão". Nesta capela de Santo António, uma sepultura, no pavimento, permite identificar o seu instituidor, ou seja, o licenciado António de Carvalho Bleo e as suas três mulheres: ESTA SEPVLTVRA HE DO L Dº ANT DE CARVALHO BLEO NATVRAL DE NISA FEZ E ISTITVIO ESTA CAPELA E CASA QUI COM LIANOR FEZ (?) :SVIRMA :MOLHER :ISABEL TEMUDA 2ª BRIBADA GARCOA : 3ª : VIVEO ANOS :FALECEO A DIAS DO MES DE .DI.

Segue-se, na nave, o altar de Santa Teresa que, segundo o Prior Domingos de Figueiredo fora inicialmente dedicado a Santa Apolónia. Junto ao arco triunfal, o altar colateral invoca a Senhora do Amparo. Do lado oposto, o altar de Cristo Crucificado e logo de seguida a capela de Santa Ana, actualmente vazia, mas cuja imagem era originária de uma ermida com a mesma invocação que existia atrás do Castelo, mas que inicialmente havia sido dedicada a São Bento. Segue-se a capela da Senhora da Encarnação, cujo arco de cantaria trabalhada e encimada pela pomba do Espírito Santo, é elogiado nas Memórias Paroquiais: "de pedra lavrada à moderna e Arco e com sua tribuna de madeira dourada, e tem quatro missas pelas quatro festas do ano que lhe deixou uma devota uma propriedades que rendem cinco mil quinhentos reis, cada um ano".

O púlpito, de planta rectangular, base em cantaria e grade de madeira simples, situa-se do lado do Evangelho, entre a capela de Santo António e a de Santa Teresa.

A capela-mor é coberta por cúpula de quatro nervuras assentes em mísulas, cuja pedra de fecho exibe uma coluna ladeada por vieiras, aludindo novamente a São Tiago. No altar-mor, em talha, as pinturas a óleo representam Nossa Senhora do Livramento ao centro, ladeada por São Mateus e por São João, encimadas por uma tela de remate semicírcular com a Adoração do Santíssimo.

Por fim, e regressando à nave, a porta lateral foi certamente aberta em época posterior ao século XVII, como parecem demonstrar a pintura de marmoreados do arco e a inexistência de cercaduras de azulejo.O mesmo se verifica em relação ao coro, com uma configuração inicial diferente da que se conhece actualmente, e apenas particalmente revestido por azulejos.

Rosário Salema de Carvalho


Outras descrições:
IGESPAR - Pesquisa de património
IHRU - Sistema de Informação para o Património Arquitectónico - IPA n.º PT041205030015

Época:
Século XIV - Provável construção primitiva
Século XVII - Campanha de obras que configurou o templo actual, onde se incluem os azulejos
Século XVIII - Altares colaterais e arco do lado da Epístola
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Bibliografia:
- ALMEIDA, Fortunato de - História da Igreja em Portugal. Porto : Portucalense, 1967-1971.

- BUSCA, Herculano do Rosário - Castelo de Vide - As raízes e a arquitectura religiosa - As minhas igrejas. Vol. I : Ed. autor, , 1995.

- SIMÕES, João Miguel dos Santos - Azulejaria em Portugal no século XVII. 2ª ed.Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 1971.

- TRINDADE, Diamantino Sanches - Castelo de Vide - Arquitectura Religiosa - Subsídio para o estudo das riquezas artísticas de Portugal. 2ª ed., Castelo de Vide : Câmara Municipal de Castelo de Vide, 1989.

- TRINDADE, Diamantino Sanches - Castelo de Vide - Arquitectura Religiosa - subsídio para o estudo das riquezas artísticas de Portugal. Castelo de Vide : Câmara Municipal de Castelo de Vide, 1981.

- VIDEIRA, César - Memória Histórica da Muito Notável Villa de Castello de Vide. Lisboa : Empresa da História de Portugal, 1908.

- VIDEIRA, César - Memória Histórica da Muito Notável Villa de Castello de Vide. 3ª ed., Lisboa : Colibri / CIDEHUS, 2008.

- VIDEIRA, César - Memória Histórica da Muito Notável Villa de Castello de Vide. 2ª ed.,Lisboa : Colibri, 2008.


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