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22/12/1890

Nasce Francisco Maria Beliz. Licenciado em Direito em 1926, publicou sob o pseudónimo de Fernão da Vide "O Pensamento Integralista", em 1939,  "Fumo do Lar", assinado pelo próprio e, em 1950, "Temas de Moral Corporativa", com o pseudónimo Telo da Vide.


Nasce o Dr. Francisco Maria Beliz, na Rua do Marmelo, em Castelo de Vide, Freguesia de Santa Maria da Devesa. Seu pai, José Manuel Beliz, também de Castelo de Vide, era natural da Freguesia de São Tiago Maior, e sua mãe, Ana Desidéria Madeira, natural da Escusa, freguesia de São Salvador da Aramenha, do concelho de Marvão. Os seus avós paternos eram António das Dores Beliz e Ana Teresa Vaqueiro, e os avós maternos Francisco Maria Madeira e Antónia Júlia Marques.

Baptizado a 29 de Abril de 1891 em Castelo de Vide, aqui passou a sua infância, e aqui concluiu a Instrução Primária em 1902, por habilitação do Professor António Maria Ribeiro, distinguindo-se desde logo pela sua inteligência, entrando no ano seguinte no Seminário de Portalegre, onde faz os preparatórios, e permanecendo neste estabelecimento até 1909. Nesse mesmo ano, iniciou o Curso dos Liceus, em Lisboa, que terminou em 1912. Não era, portanto, a vida eclesiástica a que seguiria.

Frequentou depois, durante cerca de um ano, a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e, desistindo do curso, foi então nomeado escrivão de direito da Comarca de Avis, onde esteve até 1917.

Voltando para Lisboa, empregou-se nos escritórios da Companhia Lusitana de Conservas, reiniciando os estudos superiores na Faculdade de Direito de Lisboa, curso que terminaria em 1926, e em que os Drs José Manuel da Costa e Manuel Ferreira Rosa foram muitas vezes seus companheiros de estudo.

Conheceu então António Sardinha, com quem participou intensamente na fundação e desenvolvimento do Integralismo Lusitano. No seu espólio, e inéditos, ficaram numerosos documentos e cartas a este respeito.

Em 1928 a sua vida toma nova orientação, instalando-se em Mirandela, como advogado, de sociedade com o Dr. Abel Múrias que era transmontano, e depois em colaboração com o Dr. Joaquim Trigo de Negreiros, que ao tempo exercia a advocacia em Valpaços.

Em 1937 decide sair de Mirandela, cidade onde exerceu os cargos de Chefe da Secretaria Judicial, Administrador do Concelho e de Presidente da Comissão Concelhia da União Nacional, tendo sido nomeado sócio honorário da Associação Comercial e Industrial daquela vila.

Primeiro oficial da Secretaria Administrativa da Relação do Porto, o Dr. Francisco Beliz fez também parte naquela cidade, em comissão de serviço, da Comissão Reorganizadora da Indústria de Chapelaria. Desempenhou ainda as funções de Secretário do Governador Civil do Porto e, mais tarde, as de Governador Civil Substituto.

Ocupou também os cargos de Assistente dos Serviços de Acção Social e Chefe de Secção do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, Secretário do Subsecretário das Corporações e Previdência Social, Chefe de Gabinete do Subsecretário da Assistência e Chefe de Gabinete do Ministro do Interior.

Empossado em 1954 no lugar de Chefe dos Serviços Administrativos da Imprensa Nacional de Lisboa, desempenhou também durante alguns meses o lugar de administrador naquela Imprensa Nacional.

Casou em 1918 com Maria da Assunção Cordeiro Malato, filha de José Maria Malato e de Mariana Júlia Cordeiro Malato, natural de Elvas, havendo deste casamento dois filhos: José Vicente Cordeiro Malato Beliz (1920-1993) e Maria Helena Cordeiro Malato Beliz (1922-1939).

Para a sua personalidade afectiva a morte da sua mulher, com apenas 43 anos e o falecimento da filha, em Novembro de 1939, com somente 17 anos, representaram naturais, mas particulares e sentidos desgostos, que o acompanharam pela vida fora.

Com dois filhos muito novos, e ele próprio contando apenas 42 anos, casou em segundas núpcias com Antónia Cândida Teixeira, natural de Mirandela, casamento que se realizou em 1932, em Braga e de que não houve descendência.

Além de numerosa e variada colaboração em vários jornais e revistas, incluindo na imprensa local e regional, publicou: em 1923, em Lisboa, com o pseudónimo de Fernão da Vide, o volume doutrinário intitulado "O Pensamento Integralista", em 1939, no Porto, uma colectânea de versos intitulada "Fumo do Lar", assinada pelo próprio, e de novo em Lisboa, sob o pseudónimo de Telo da Vide, no ano de 1950, "Temas de Moral Corporativa", uma série de artigos que tinha publicado no "Diário da Manhã".

Do seu espólio fazem parte numerosas poesias inéditas e escritos de índole doutrinária, bem como um novo volume de poesias, a que deu o título de "Nuvem de Incenso", pronto a ser publicado, e que concluíra nas suas últimas semanas de vida.

Embora residindo deste muito cedo fora de Castelo de Vide, nunca esqueceu nem deixou de se manter em contacto com a vida da terra natal, que acompanhava interessadamente, nem dos amigos que aqui tinha.

Ainda estudante, em Julho de 1910, quando a vida lhe permitia participar mais activamente nas coisas da sua terra, estava presente no solene descerramento do brasão da família de Mousinho da Silveira, que recentemente fora descoberto na Rua do Arco da Barreira, na casa que foi da família do notável estadista, discursando depois (contando então apenas 20 anos incompletos) na sala das sessões da Câmara Municipal. Inaugurava-se nesse dia o retrato daquele célebre castelovidense, retrato que numa das paredes se encontrava velado com a bandeira do Município. E em Agosto de 1913, também ainda estudante e solteiro, ao organizar-se o Gabinete de Propaganda Regional de Castelo de Vide, Francisco Maria Beliz ocupa o lugar de vogal daquele Gabinete. Foram estes, por exemplo, alguns dos diversos serviços que devotadamente prestou à sua terra.

Faleceu a 6 de Novembro de 1959 na cidade de Lisboa, com 68 anos, sendo sepultado no dia seguinte no Cemitério de Castelo de Vide, fechando a urna o seu primo Amável das Dores Beliz.

Por ocasião do seu falecimento, escreveu o Dr. Dias Loução: "Não só pela inteligência, mas ainda pela sensibilidade, vê-se que Francisco Beliz acolhera com entusiasmo o preceptorado e a disciplina mental dos mestres do Integralismo Lusitano, principalmente de António Sardinha. Em "Fumo do Lar" paira o espírito e a emoção lírica do poeta da "Epopeia da Planície", a dos "Poemas da Turbação e da Boa Estrela". Castelo de Vide guarda hoje na sua necrópole mais um filho que se ilustrou, pela pena, nas pugnas do pensamento e no nobre cultivo das musas. Tem Francisco Beliz a jazida final na terra onde tremulou a luz da velha candeia e subiu aos céus o fumo do lar em que nasceu."


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