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Jaime Martins Barata (1899-1970)

Em 7 de Março de 1899 nasce na Herdade do Pereiro, freguesia de Santo António das Areias, concelho de Marvão, Jaime Martins Barata, filho de José Pedro Barata, agricultor, natural de Alpalhão, Freguesia de Nossa Senhora da Graça do concelho de Nisa, e de Antónia de Jesus Martins, natural da Freguesia de Cardigos, concelho de Mação. 

A 27 de Abril de 1899, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça de Póvoa e Meadas é baptizado, sendo seus padrinhos Jaime Marçal Pimentel Fragoso e Ana Luísa de Matos Glória. E a Póvoa foi sempre para ele a terra de suas origens, a que muito queria.

Seu pai era feitor na dita Herdade do Pereiro, herdade que fora formada pelo ilustre estadista castelovidense José Xavier Mousinho da Silveira, a cuja família então prestara serviços, designadamente como feitor e procurador. A José Pedro Barata também Castelo de Vide ficou devendo dedicados trabalhos, como por exemplo, toda a execução testamentária de Maria José da Rosa e Almeida que, com seu marido, José de Almeida Sarzedas, instituíram nesta vila o Asilo do Espírito Santo para a Infância Desvalida, designadamente até à construção do edifício e à instalação do novo estabelecimento assistencial, tarefa de que se desempenhou com pleno êxito, cabendo-lhe ainda nomear a primeira direcção da nova instituição.

Jaime Martins Barata, era irmão do Dr. José Pedro Martins Barata, que se distinguiu não só profissionalmente como médico veterinário e militar, mas ainda com os trabalhos de investigação de que nos deixou, entre outros, "Ordens Militares - Aquém e Além Sever", "O Menir da Meada e Doação dos Castelos de Monsanto e de Abrantes com o seu Termo, por Dom Afonso Henriques em 1172 e 1173, à Ordem de Santiago da Espada", "Apontamentos sobre a Fala Viva de Montalvão e de Póvoa e Meadas no extremo Norte do Alentejo", "As "Xacolas" em Montalvão e Póvoa e Meadas no Extremo-Norte Alentejano", "Póvoa e Meadas nunca foi Póvoa de D. Martinho", "Safurdões", etc.

O pai faleceu em 1904, e a mãe, com eles ainda crianças, fixou residência em Póvoa e Meadas, onde exerceu a sua profissão, o ensino primário. Jaime Martins Barata fez o curso do liceu em Portalegre e os seus estudos na Escola Normal Superior da Universidade de Lisboa, Secção de Desenho. Foi depois nomeado professor do ensino secundário, nos liceus de Pedro Nunes, em Lisboa, de Portalegre, de Setúbal, de Gil Vicente e de Passos Manuel em Lisboa.

Em 5 de Janeiro de 1926, Jaime Martins Barata casou na cidade de Lisboa, com Maria Emília (Màmia) Roque Gameiro, natural da freguesia de Benfica, filha de Alfredo Roque Gameiro (1864-1935), natural de Torres Novas, e de Maria d'Assunção Gameiro, natural da Freguesia da Pena, Lisboa, havendo os seguintes filhos: Maria Antónia Roque Gameiro Martins Barata, José Pedro Roque Gameiro Martins Barata, Alfredo Roque Gameiro Martins Barata e Maria da Assunção Roque Gameiro Martins Barata.

Foi de ascensão rápida a sua carreira artística. Discípulo de Raquel Gameiro, depressa se notabilizou nas exposições anuais da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde recebeu as medalhas de  3ª, 2ª e 1ª Classe em aguarela, e 2ª em gravura.

Pertencem ao Museu de Arte Contemporânea as aguarelas Fafada e Baile de Roda; ao Museu Grão Vasco, o Canto das Pedras; ao del Arte Moderno, de Madrid, Santo Ildefonso e Longes do Ribatejo, ao do Rio de Janeiro, A Ponte de Santa Margarida; e aos museus do Estado português O Pobre Ganhão, As Três Velhas, O Barco e Aspectos da Exposição de Arte Francesa. Seria vã a tentativa de dar aqui, no espaço de que dispomos, a tão rica carreira de Jaime Martins Barata. Acrescentarei apenas, além do jornalismo, do desenho filatélico e ilustração de livros, a que também se dedicou com notável êxito artístico, mais algumas obras: dois trípticos no Pavilhão de Lisboa da Exposição do Mundo Português; os trípticos da escadaria do Palácio de São Bento; o Altar do Transepto do lado do Evangelho, na Igreja de Santo Eugénio, em Roma; sob a invocação de Fátima; três painéis no átrio do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa; o conjunto de frescos no Palácio da Justiça de Santarém; com Almada Negreiros, seis quadros no Tribunal de Contas; o Sagrado Coração de Jesus na Igreja de São Tiago, na Covilhã; o fresco no Palácio da Justiça de Vila Real de Trás-os-Montes; o pequeno fresco no Reformatório do Bom Pastor; os frescos nos palácios de Justiça do Montijo, do Porto, Aveiro, Olhão, Fronteira, Castelo Branco e Vila Pouca de Aguiar; o painel "Gonçalves Zarco" no Paquete Funchal; e o retrato de D. Antónia, sua mãe, que como alguém escreveu, "é um dos mais directos e penetrantes documentos humanos da obra do pintor”.

Martins Barata faleceu na sua casa, em Lisboa, na Freguesia de Campolide, a 15 de Maio de 1970.

Diogo Salema Cordeiro


Nota: 
Aconselha-se a visita ao sitio http://martinsbarata.org/, dedicado ao pintor.

Referências:
- As Xácolas em Montalvão e Póvoa e meadas no extremo-norte alentejano / José Pedro Martins Barata. - Lisboa : Editorial Império, [19--]. - p. 409-420 ; 25 cm. - Sep. Rev. Portugal, S. A. Língua Portuguesa, 31.

- Tradições religiosas em Montalvão e em Póvoa e Meadas no extremo-norte alentejano / José Pedro Martins Barata. - Lisboa : Inst. Port. de Arqueol. História e Etnografia, 1970. - 111, 1 p. : il. ; 26 cm. - Sep. Ethnos, 6.

- O menir da meada e doação dos castelos de Monsanto e de Abrantes com o seu termo, por dom Afonso Henriques em 1172 e 1173, à ordem de Santiago da Espada / José Pedro Martins Barata. - [S.l. : s.n.] 1965 ( Lisboa: -- Inst. Port. de Arqueologia, História e Etnografia, Editorial Minerva [Tip.]). - p. 139-143, 1 fl. : il. ; 26 cm. - Tiragem 45 ex.. - Sep. Ethnos, 4.

- Apontamentos sobre a fala viva de montalvão e de póvoa e meadas, no extremo norte do alentejo / Por José Pedro Martins Barata. - [S.l. : s.n.] 1966 ( Lisboa: -- [Tip. da Editorial Império]). - p. 19-39 ; 24 cm. - Tiragem 70 ex.. - Sep. da Revista de Portugal-Série A : Língua portuguesa - volume XXXI.

- Póvoa e Meadas nunca foi Póvoa de D. Martínho / Por José Pedro Martins Barata. - [S.l. : s.n. D.L. 1967] ( Lisboa: -- [Tip. Editorial Império]). - p. 250-258 ; 24 cm. - Tiragem 70 ex.. - Sep. da Revista de Portugal-Série A : língua portuguesa - volume XXXII.

- Castelo de Vide - Castela Davide - Castelo d'Avid ? : Topónimo alquímico trazido pelos Arabes ou pelos Templários ? / Por José Pedro Martins Barata. - [S.l. : s.n., D.L. 1968] ( Lisboa: -- [Tip. da Editorial Império]). - p. 258-270 ; 24 cm. - Tiragem 70 ex.. - Sep. da Revista de Portugal - Série A : Língua portuguesa - vol. XXXIII - Lisboa, 1968.

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Bibliografia :
- Arquivo Distrital de Portalegre, Registo de Nascimento e Baptismo de Jaime Martins Barata. , 07-03-1899 e 27-04-1899.

- Sociedade Nacional de Belas-Artes. Segunda exposição de aguarela, desenho e miniatura. Lisboa : Typ. do Annuario Commercial, 1916.

- Exposição de Pintores do Distrito de Portalegre. Portalegre : Oficinas Gráficas de Silvino H. da Silva, 1950.

- BARROS, Leitão de; BARATA, Jaime Martins - Elementos de História da Arte para uso da 4ª e 5ª classes dos liceus. 3ª edição, Lisboa : Edições Paulo Guedes, 1931.

- ELIAS, Mário - Martins Barata, pintor alentejano. In IBN MARUÁN Revista Cultural do Concelho de Marvão. N.º 7, Marvão : Câmara Municipal de Marvão / Edições Colibri, Dezembro de 1997, pp. 295-298.

- POE, Edgar - O Baile das Chamas. Lisboa : Edições Delta, 1923.


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