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13/6/1753

António José Coelho, num curioso relato, curioso e interessante a vários títulos, conta-nos, num pequeno opúsculo, alguns singulares acontecimentos que neste dia se deram em Castelo de Vide e em outras localidades da região.


António José Coelho, num curioso relato, curioso e interessante a vários títulos, editado em pequeno opúsculo, impresso no ano de 1753, intitulado "Relação do admirável prodígio que obrou o Glorioso S. Vicente Ferreira na Igreja Matriz de Santa Maria da Villa do Castelo de Vide no dia 13 de Junho passado.", conta-nos alguns singulares acontecimentos que neste dia se deram em Castelo de Vide e em outras localidades da região.

Dele se transcrevem alguns excertos, que são os que se referem directa ou indirectamente a Castelo de Vide, actualizando a ortografia, para se poderem ler mais fluentemente:

"(...) e este ano em treze do mês passado dia de Santo António, de tarde pelas cinco horas, quis Deus Nosso Senhor livrar os moradores daquela Praça de outro mais evidente e pernicioso castigo, por intercessão do Glorioso São Vicente Ferreira, em cujo culto, veneração, e festejo estavam na Igreja Matriz de Santa Maria daquela vila.

É inveterado costume, naquele Povo, levar em dia de Santo António, de tarde, em procissão para a Igreja Matriz ao Glorioso São Vicente Ferreira, e aí em obséquio do mesmo Santo haver Sermão, e Música. Estando neste louvável, e devoto exercício em treze do mês passado na dita Matriz, acabado o Sermão, já estando pegado o andor para vir o Santo em procissão para a sua capela, seriam cinco horas, pouco mais ou menos, se assufocou o ar, e estranhamente se condensaram as Nuvens, entrando a trovejar com excesso; ao segundo fuzilar de relâmpago caiu uma Centelha, que ao descer penetrou da Igreja o tecto, e em segundo lugar de um rapaz o corpo, de sorte que jamais foi visto fazer o mínimo movimento; correu a Igreja toda, como uma espada de fogo, e certamente se inferiu que a não ser prodigioso Milagre do Santo, a todos deixaria sem vida, ainda que alguns com ela ficaram mal feridos.

Na mesma hora, e entende-se que ao mesmo fuzilar, caiu outra Centelha em uma guarita chamada da Morena, que a partiu pelo meio; outra na Igreja da Senhora da Pena, e no sítio do Barrocal, destas não houve perigo, que deva contar-se; Junto a Marvão, pequena Praça, que fica distante de Castelo de Vide uma légua, na estrada, por onde se caminha a ela, caiu outra Centelha, e matou um homem. E na vila de Tancos, terra de Ribatejo, onde se faz franca a Feira de Santo António, aonde tinham ido alguns Mercadores de Castelo de Vide a vender saragoças, e jardos que naquela vila (como já disse) admiravelmente se fabricam e viram cair às mesmas horas no meio da Feira um Raio, e tão somente matou uma mulher, a quem depois de furiosamente a penetrar o fez no chão com tal violência que tremeu o circuito daquele lugar deixando à superfície da terra, paimozo e largo vestígio de sua submersão.

Também caíram na Praça de Valência de Alcântara (Praça nossa, que a Campanha passada tomámos ao Castelhano, e ainda se acha demolida, e pouco fortificada, que dista de Castelo de Vide três léguas) outros tantos Raios, que mataram três pessoas, e como reciprocamente se recebiam, pela pouca distância, a notícia de tão infaustos sucessos andava a Nobreza, em que a consideração é mais benigna para admitir o conselho, dando exemplo os plebeus e rústicos, em procissões de penitência pelas ruas, nus da cintura para cima. (...)"

Refere também outros fenómenos em Nisa, dizendo a seguir:

"(...) O antecipado sucesso, e já referido, do dia treze tinha aos moradores de Castelo de Vide bastantemente medrosos, e de sorte, que qualquer grossura de nuvem os fazia nos dias seguintes recolher aos Templos a pedir a Deus perdão de suas culpas; mas no dia dezoito, pelas dez horas da noite, na segunda-feira, universalmente desamparam as casas, e deixado o repouso da cama procuraram o abrigo do Templo, tendo por infalível que ia acabar-se o mundo, e que para eles era chegado o dia do Juízo, pois viam que de todas as partes se abria o Céu, e rasgavam os trovões os ares, com tal estrépito e motim, que viam visivelmente tremer as casas de suas habitações, arruinando-se-lhes parte delas, parecendo-lhes tinham de baixo da Ruína dos seus tectos certa a sepultura de seus corpos; e ainda neste dia caiu um Raio; mas quis Deus Nosso Senhor que não padecesse perigo mais que levemente hum pequeno telhado de um edifício. (...)"

Descreve depois acontecimentos em Castelo Branco no mesmo tempo, e a terminar:

" (...) São, senhores, todos estes sucessos avisos do Céu, ou Clamores Divinos, com que Deus nos quer despertar do mortal sono da culpa: Não cessa, Misericordioso, em persuadir-nos o arrependimento pelo eco dos Pregadores no Púlpito, pelo Conselho dos Confessores no Confessionário, pela morte apressada do Filho, em quem pela Razão natural pudera a Parca tardar em cortar com a foice os fios à vida:". e termina exortando: "Peço-vos em Reverência de Deus punhais os olhos no que tendes lido, sem o mínimo escrúpulo de que tudo foi certo, tirai para o que vos digo proveitoso exemplo; Não tardemos, senhores, em nos Converter a Deus, não passemos de dia em dia guardando para a última hora o arrependimento porque não sabemos se de Repente cairá sobre nós a Divina ira, e nos sepulte naquele abismo de penas; (...) "

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